Novas delações podem atingir inquéritos sobre Temer, diz Janot

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que “colaborações em curso” podem ajudar nas investigações contra o presidente Michel Temer (PMDB) por suspeita de obstrução de Justiça e organização criminosa. Os inquéritos servem para embasar novas denúncias.
A PGR negocia as delações do ex-deputado Eduardo Cunha e do operador financeiro Lúcio Funaro, ambos presos pela Lava Jato.
Janot afirmou que não pode confirmar as tratativas, mas questionado sobre o que um político como o ex-presidente da Câmara tem para fechar um acordo, ele respondeu: “O cara está neste nível aqui [faz um sinal com uma mão parada no ar], ele tem que entregar gente do andar para cima [mostra um nível acima com a outra mão]. Não adianta ele virar para baixo, não me interessa”, contou.
O chefe da PGR indicou que prepara uma nova acusação formal contra Temer, revelou que pedirá a anulação de uma delação e afirmou que a saída para o país não é “considerar bandido como político”.
Janot, cujo mandato na PGR termina em 17 de setembro, contou que pretende tirar férias acumuladas até abril e projeta se aposentar no meio do ano que vem.