MPF cobra explicações de Cláudio Castro sobre a operação mais letal da história do Rio

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) exigiram, nesta terça-feira (28), que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), preste esclarecimentos sobre a megaoperação que terminou com 64 mortos e dezenas de presos nas zonas Norte e Oeste da capital. A ação, considerada a mais letal da história do estado, superou o massacre do Jacarezinho, em 2021, quando 28 pessoas morreram.

O pedido foi formalizado em um documento assinado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão Adjunto, Julio José Araújo Junior, e pelo defensor regional de Direitos Humanos, Thales Arcoverde Treiger. Ambos solicitam que Castro informe os objetivos da operação, os custos envolvidos, a justificativa para o uso de força em larga escala e se houve tentativa de buscar alternativas menos letais.

Além disso, o MPF e a DPU cobram do governo fluminense provas de que foram cumpridas as determinações da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que impõe limites às ações policiais em comunidades do Rio. O documento também requer informações sobre o uso de câmeras corporais, o respeito aos horários escolares durante a operação e a presença de equipes médicas e ambulâncias nos locais do confronto.

Os procuradores exigem ainda relatórios públicos detalhando a operação, perícias nos locais de morte e explicações sobre eventuais violações de direitos humanos. A iniciativa é vista como uma resposta à escalada de violência nas favelas, que voltou a colocar o Rio sob os holofotes nacionais.

Batizada de Operação Contenção, a ação mobilizou cerca de 2.500 policiais e teve o apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro. Foram apreendidos 72 fuzis e presos 81 suspeitos, com mais de 100 mandados de prisão previstos para cumprimento. O objetivo declarado era conter o avanço territorial do Comando Vermelho (CV) em áreas dominadas por facções rivais.

A pressão sobre o governador aumenta em meio a uma série de críticas ao modus operandi da segurança fluminense, acusado de desprezar protocolos de proteção à vida e de ignorar as orientações do Supremo Tribunal Federal.

Enquanto o Planalto evita adotar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e prega ações de inteligência coordenadas entre forças estaduais e federais, o governo do Rio insiste em respostas de confronto direto. A tragédia mais recente reacende o debate sobre até que ponto o Estado pode usar a força em nome da segurança pública — e até onde vai sua responsabilidade diante da morte de dezenas de cidadãos.

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