Com a aprovação no Senado do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se prepara para assumir o centro da vitrine política do governo. A proposta, considerada uma das mais simbólicas do terceiro mandato de Lula da Silva (PT), será usada agora como bandeira política em um momento de queda de popularidade do presidente e de busca por um novo discurso que una a base petista.
Aliados próximos confirmam que Haddad deverá percorrer o país para celebrar a conquista e divulgar a chamada “justiça tributária” do governo, destacando a promessa de campanha cumprida e os impactos sociais da medida. O ministro pretende transformar o tema em marca pessoal, mostrando-se como gestor responsável e político com potencial eleitoral — especialmente se o enfraquecimento de Lula nas pesquisas persistir.
Nos bastidores do PT, a leitura é clara: Haddad volta ao tabuleiro presidencial. Assim como em 2018, quando assumiu a candidatura petista após a prisão de Lula e foi derrotado por Jair Bolsonaro, o atual titular da Fazenda pode novamente ser convocado a representar o partido na disputa pelo Planalto. Desta vez, o cenário indica um embate direto com Tarcísio de Freitas (PL), governador de São Paulo e nome mais forte do bolsonarismo para 2026.
Após a aprovação no Senado, Haddad gravou vídeo comemorando a medida e projetando novos passos: “É uma roda que gira virtuosamente, todo mundo ganha — até os que vão pagar um pouquinho mais. Estamos construindo uma sociedade mais justa, que distribui melhor as oportunidades”, disse o ministro.
A estratégia é reforçada por uma orientação do próprio presidente Lula para que ministros intensifiquem agendas nos estados, apresentando as realizações do governo e disputando o debate político local. No caso de Haddad, a missão tem peso duplo: melhorar a imagem do governo e a sua própria, após meses de críticas por medidas consideradas impopulares, como aumento de tributos e ajustes fiscais.
Entre governistas, a isenção do IR até R$ 5 mil é tratada como uma das maiores vitórias da gestão Lula 3 e deverá ser sancionada com pompa no Palácio do Planalto. O evento contará com parlamentares, representantes da sociedade civil e aliados políticos — um palco perfeito para Haddad consolidar-se como o rosto da conquista.
Enquanto Lula se prepara para a cerimônia, prevista após seu retorno da COP30, o PT e a Secom planejam campanhas de divulgação em TV e redes sociais, com ênfase na mensagem de que “os ricos devem contribuir mais para aliviar os pobres”.
O discurso tem funcionado. No entorno do governo, há a percepção de que o tema fiscal, antes impopular, se transformou em ativo político e pode abrir caminho para um novo ciclo de popularidade petista — com Haddad como protagonista.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação
