Hugo Motta endurece discurso e desafia Lula e Haddad na batalha pelo PL Antifacção

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou nesta última quinta-feira (20) a defesa do PL Antifacção, aprovado pela Casa, e voltou a confrontar diretamente as críticas feitas pelo presidente Lula da Silva (PT) e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. É o segundo dia consecutivo em que Motta utiliza as redes sociais para sustentar que o texto representa um avanço no combate ao crime organizado e que está sendo alvo de distorções, segundo ele, por motivações políticas.

Motta afirmou que “há muita gente tentando deturpar os avanços do Marco Legal de Combate ao Crime Organizado” e questionou o motivo de haver “interesse em enfraquecer uma legislação que endurece contra criminosos”. O deputado agradeceu o apoio “de milhões de brasileiros” e voltou a divulgar um vídeo do ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, que rebate pontos levantados pelo governo.

Confronto direto com o Planalto

O embate se acirrou após Lula e Haddad afirmarem que o texto aprovado “enfraquece o combate ao crime”, altera pilares do projeto original enviado pelo Executivo e abre brechas jurídicas. O governo também alerta para impactos no financiamento da Polícia Federal e na atuação da Receita Federal em portos e fronteiras, pontos considerados sensíveis para operações de inteligência.

Motta, no entanto, tenta consolidar uma narrativa oposta. No vídeo compartilhado, Pimentel rebate a crítica de Haddad sobre o suposto estrangulamento financeiro da PF. Segundo ele, a parcela destinada ao Fundo Nacional de Segurança Pública a partir de bens apreendidos já é “muito pequena”, próxima de 4%, e não seria afetada de forma significativa. A avaliação contraria notas técnicas da própria Fazenda e do Ministério da Justiça.

Câmara x Governo: derrota ampla e disputa contínua

Na postagem anterior, publicada na quarta-feira, Motta destacou que a aprovação por 370 votos a 110 representou uma “derrota contundente” do governo na área de segurança pública. Ele reforçou que a Câmara “escolheu o caminho correto” ao responder à cobrança da população por medidas mais duras contra facções criminosas. O recado interno é claro: a Casa não recuará e não aceitará pressão do Planalto.

A escalada da crise indica desgaste crescente entre Executivo e Legislativo, com Motta assumindo protagonismo na disputa política, movimento que fortalece sua posição interna e amplia sua influência entre parlamentares que defendem uma agenda mais rígida contra o crime.

Senado tenta conter a crise institucional

Enquanto a tensão aumenta, o Senado se organiza para revisar trechos considerados críticos. O relator Alessandro Vieira (MDB-SE) já sinalizou ajustes de mérito e de constitucionalidade, incluindo a recomposição integral do financiamento da PF e a revisão de novos tipos penais previstos no texto do deputado Guilherme Derrite (PP-SP).

Lula voltou às redes para afirmar que o projeto “troca o certo pelo duvidoso” e “gera insegurança jurídica”, pedindo que o Senado trate o tema com “responsabilidade”. Haddad reforçou a crítica ao dizer que a proposta “facilita a vida de líderes do crime organizado” e enfraquece operações federais.

Embate deve se prolongar

A reação de Motta deixa claro que o presidente da Câmara pretende manter o confronto aberto com o Planalto, sustentando que a Casa está alinhada ao clamor por endurecimento penal. Com o Senado prestes a revisar o texto, o PL Antifacção se transforma no novo campo de batalha entre governo e Congresso.

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