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Levantamento expõe abandono estrutural e falta de arborização nas favelas brasileiras

Bahia

A precariedade estrutural que marca o cotidiano de milhões de brasileiros voltou a ser evidenciada após um amplo levantamento do IBGE sobre 12.268 favelas e comunidades urbanas. Os dados, divulgados nesta última quinta-feira (4), escancaram um cenário persistente de ausência de arborização, calçadas irregulares, obstáculos para pedestres, falta de rampas de acessibilidade e baixa presença de bueiros, alcançando 6,4 milhões de domicílios e 16,1 milhões de moradores.

Arborização escassa 

Segundo o levantamento, 64% dos moradores vivem em vias sem árvores. Quando o recorte considera quem se declara de cor ou raça preta, o percentual sobe para 68%, revelando desigualdade ainda mais profunda. Fora das favelas, esse índice cai para 31%. Apenas 10,5% das moradias nesses territórios contam com cinco ou mais árvores no logradouro.

Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo apresentam os maiores contrastes entre áreas formais e favelas, com diferenças que chegam a 42 pontos percentuais. No Rio, a distância é ainda maior. Em Rio das Pedras, só 3,5% dos moradores vivem em vias arborizadas, um dos piores indicadores do país.

Calçadas inexistentes

O levantamento mostra que 46,1% dos moradores de favelas vivem em vias sem calçadas, enquanto fora delas esse problema atinge apenas 10,1%. Em comunidades populosas como Paraisópolis (SP), Pernambués (Salvador) e Rocinha (RJ), menos de 25% das pessoas têm calçamento adequado.

Mas mesmo onde existem calçadas, quase sempre há obstáculos. Somente 3,8% dos moradores de favelas têm livre circulação nas calçadas do entorno. Fora desses territórios, o índice é quase seis vezes maior.

No Rio, a situação é crítica: Rocinha e Rio das Pedras têm menos de 0,5% dos moradores com calçadas sem obstruções.

Acessibilidade é exceção, não regra

A presença de rampas para cadeirantes é mínima: só 2,4% dos moradores de favelas vivem em áreas com esse tipo de estrutura, frente a 18,5% fora desses territórios. Em mais de 11 mil favelas analisadas, menos de 10% dos moradores tinham esse equipamento básico de inclusão.

Falta de bueiros e riscos de alagamento

O estudo identifica que 45,4% dos moradores vivem em vias sem bueiros ou bocas de lobo, o que agrava situações de enchentes e compromete o saneamento. Fora das favelas, o índice é de 61,8%. Estados como Roraima, Amapá, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal apresentam diferenças superiores a 35 pontos percentuais entre áreas formais e comunidades.

Iluminação e pavimentação avançam

Apesar de a iluminação pública alcançar 91,1% dos moradores de favelas, ainda há 1,4 milhão de pessoas residindo em ruas escuras. Em Paraisópolis e Rocinha, os índices despencam para 66,9% e 54,3%, respectivamente.

Quanto à pavimentação, o estudo mostra que 78,3% das moradias em favelas ficam em vias pavimentadas. O índice sobe para 91,8% fora delas. Em Pernambués e Beiru, em Salvador, o percentual chega a 99,5%.

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