O presidente Lula da Silva (PT) deu um passo para reduzir a tensão com o Congresso ao ligar, na noite de sexta-feira (19), para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A conversa marcou o primeiro contato direto entre os dois desde o desgaste provocado pela indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
O telefonema ocorreu logo após a aprovação do Orçamento da União de 2026 e teve como objetivo formal agradecer o aval do Congresso. Nos bastidores, porém, o gesto foi interpretado como uma tentativa clara de reaproximação política depois de semanas de atritos públicos e recados indiretos.
Indicação ao STF azedou relação
A crise teve início quando Lula optou por indicar Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o STF, contrariando a preferência de Alcolumbre, que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado. A escolha foi lida, no Senado, como um movimento unilateral do Planalto, sem a devida costura política.
Desde então, Alcolumbre passou a fazer críticas públicas ao governo e reagiu com irritação a versões de que estaria tentando interferir no ritmo da sabatina de Messias. Em declarações duras, chegou a chamar de mentirosos os que sugeriram que ele buscava usurpar prerrogativas do presidente da República.
Orçamento abre espaço para diálogo
A aprovação do Orçamento de 2026 criou o ambiente para o gesto de Lula. Segundo o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AC), a ligação serviu para agradecer o apoio e abrir caminho para uma conversa presencial nos próximos dias.
A avaliação no Planalto é de que a retomada do diálogo é necessária para evitar que o impasse em torno do STF contamine outras pautas estratégicas do governo no Legislativo.
Discurso público de distensão
Na véspera da ligação, Lula já havia tentado baixar a temperatura ao negar qualquer crise com o presidente do Senado. Em conversa com jornalistas, afirmou manter relação pessoal amistosa com Alcolumbre e destacou o papel do senador na aprovação de projetos de interesse do governo.
O discurso público contrasta com o clima dos bastidores, onde a indicação ao Supremo ainda é vista como um ponto sensível e longe de consenso no Senado.
Sinais anteriores de aproximação
O movimento de reaproximação vinha sendo ensaiado desde o início de dezembro, quando Alcolumbre fez um agradecimento público a Lula durante evento no Amapá, ao reconhecer a atuação do governo federal na inauguração de um centro de radioterapia no estado.
A fala foi interpretada como o primeiro gesto positivo após semanas de silêncio e críticas, indicando disposição para recompor pontes sem, necessariamente, encerrar o desconforto com a escolha de Messias.
Sabatina segue indefinida
Apesar do gesto político, a sabatina de Jorge Messias no Senado segue sem data definida. Lula afirmou esperar que a análise ocorra apenas após o recesso parlamentar, no próximo ano, enquanto Alcolumbre mantém cautela sobre o calendário.
A ligação não resolve o impasse, mas sinaliza que Planalto e Senado voltaram a conversar. Em Brasília, o recado foi claro: após o choque de forças em torno do STF, Lula aposta no diálogo para evitar que a crise se transforme em paralisia política.
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