Tarcísio exalta Bolsonaro, cutuca Lula e associa atraso do Rodoanel à corrupção

Durante a inauguração do primeiro trecho do Rodoanel Norte, em Arujá, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), transformou um evento de infraestrutura em um discurso político marcado por elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), críticas a governos anteriores e referências diretas à Operação Lava Jato como fator determinante para o atraso da obra.

Sem citar nominalmente gestões passadas, Tarcísio afirmou que o empreendimento ficou anos parado por causa da corrupção e de investigações que atingiram empresas envolvidas no projeto, reforçando o discurso de ruptura com o passado e de eficiência administrativa sob sua gestão.

Críticas à corrupção e menção à Lava Jato

Segundo o governador, o Rodoanel deveria ter sido entregue ainda na década passada, mas acabou se tornando símbolo de promessas não cumpridas. Para ele, a paralisação foi consequência direta de práticas corruptas e da atuação da Lava Jato sobre governos que, segundo afirmou, “se acostumaram a viver da corrupção”.

Tarcísio sustentou que a retomada e o avanço da obra demonstram que projetos estruturantes só saem do papel quando há gestão, seriedade e ausência de desvios, reforçando o discurso de eficiência administrativa como marca de seu governo.

Exaltação a Bolsonaro 

Na parte final do discurso, o governador exaltou Jair Bolsonaro ao lembrar que concessões e projetos estratégicos de infraestrutura, como intervenções na rodovia Presidente Dutra, tiveram contratos assinados durante o governo do ex-presidente. A menção provocou reação imediata da plateia, que passou a gritar “mito”, levando Tarcísio a interromper a fala por alguns instantes.

O gesto reforçou a associação política entre o governador paulista e o bolsonarismo, em meio a especulações sobre o futuro eleitoral de Tarcísio e seu papel no campo da direita nacional.

Mercadante cobra reconhecimento ao BNDES

Antes da fala do governador, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, também discursou e reclamou publicamente da ausência do banco na placa inaugural da obra. Segundo ele, parte significativa do financiamento do trecho entregue veio da instituição federal, e o reconhecimento seria essencial para preservar uma relação republicana entre União e estados.

Mercadante aproveitou a ocasião para exaltar o presidente Lula e defender parcerias institucionais, mas sua fala foi recebida com frieza e vaias por parte do público presente, evidenciando o clima político tenso do evento.

Disputa política ofusca entrega da obra

Embora o novo trecho do Rodoanel represente avanço importante para a mobilidade e logística da Região Metropolitana de São Paulo, a cerimônia acabou marcada mais pelo embate político do que pela infraestrutura em si. Discursos, vaias e provocações escancararam a antecipação do debate eleitoral e o uso de obras públicas como vitrine ideológica.

A conclusão total do Rodoanel Norte ainda depende de novas etapas, previstas para os próximos anos, mas a inauguração desta semana deixou claro que, em São Paulo, obras e política seguem caminhando lado a lado, com discursos cada vez mais duros e polarizados.

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