Prefeito, vice-prefeita e 11 vereadores são presos por desviar milhões de reais

O prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), se entregou à polícia em São Luís nesta quarta-feira (24), após passar dois dias foragido em meio a uma operação que escancarou um dos maiores esquemas de desvio de recursos já investigados no interior do Maranhão. As apurações apontam para uma organização criminosa instalada no coração da administração municipal, com participação direta de praticamente toda a elite política local.

A ofensiva das autoridades revelou um rombo superior a R$ 56 milhões, supostamente drenados dos cofres públicos entre 2021 e 2025 por meio de contratos fraudulentos, empresas de fachada e pagamento de propinas. Além do prefeito, a vice-prefeita Tânia Mendes, todos os 11 vereadores em exercício e um ex-vereador aparecem no centro das investigações.

Poder público capturado

De acordo com as apurações, o esquema funcionava de forma integrada entre Executivo e Legislativo. Vereadores recebiam valores desviados diretamente ou por intermédio de parentes, criando uma engrenagem política blindada contra fiscalização interna.

A investigação sustenta que o comando do esquema partia do gabinete do prefeito, com apoio direto da vice-prefeita e de aliados estratégicos, incluindo a ex-vice-prefeita Janaína Lima. O objetivo era manter controle absoluto da máquina pública e garantir a continuidade do fluxo ilegal de recursos.

Prisões e medidas cautelares

Após se apresentar, Paulo Curió e Tânia Mendes tiveram a prisão preventiva decretada e foram encaminhados ao complexo penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Já os vereadores tiveram as prisões convertidas em domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica, decisão que, segundo apurado, buscou evitar a paralisação administrativa do município.

Com o afastamento do prefeito, o presidente da Câmara Municipal deverá assumir interinamente o comando da prefeitura, em um cenário de total instabilidade política.

Empresas de fachada e contratos simulados

As investigações identificaram uma série de empresas utilizadas como “laranjas” para justificar contratos públicos e emitir notas fiscais falsas. Entre elas estão postos de combustíveis, empresas de serviços, empreendimentos contábeis e até companhias ligadas ao setor agropecuário.

Essas empresas teriam sido criadas ou cooptadas exclusivamente para viabilizar o desvio de recursos, com repasses feitos para contas pessoais de agentes políticos e de familiares próximos.

Esquema familiar e dinheiro público

Um dos núcleos mais sensíveis do caso envolve a ex-vice-prefeita Janaína Lima e seu marido, Marlon Zerrão, apontado como figura central na engrenagem financeira do esquema. Um posto de combustíveis ligado a ele teria recebido mais de R$ 17 milhões do município.

Parte desse dinheiro, segundo as investigações, era retida previamente e destinada a despesas pessoais, enquanto o restante retornava ao grupo político por meio de repasses diretos ou intermediados. A atual vice-prefeita também é investigada por receber valores de empresas contratadas, inclusive em operações relacionadas à venda de notas fiscais frias.

Crimes sob investigação

O conjunto de provas reunidas aponta para a prática de organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos dezenas de mandados de busca e apreensão e prisões em diversos municípios maranhenses, ampliando o alcance da investigação para além de Turilândia.

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