Veto de Lula a emendas reacende tensão com o Congresso e ameaça trégua política em 2026

A decisão do presidente Lula da Silva (PT) de vetar a manutenção de emendas parlamentares não pagas em anos anteriores abriu uma nova frente de conflito com o Congresso e promete azedar o ambiente político já nas primeiras semanas de 2026. O veto foi aplicado tanto ao Orçamento quanto ao projeto que previa o corte de benefícios fiscais, atingindo diretamente um dos principais instrumentos de articulação política dos parlamentares.

Nos bastidores, a avaliação é de que a medida frustrou planos de deputados e senadores de reforçar o envio de recursos às bases eleitorais às vésperas do calendário eleitoral. A reação foi imediata e deve se traduzir em uma ofensiva organizada para tentar derrubar o veto assim que o Legislativo retomar suas atividades, após o recesso.

Mobilização no Congresso

Aliados do próprio governo admitem, sob reserva, que já há conversas entre líderes partidários para construir um acordo que viabilize a apreciação do veto logo no início do ano legislativo. A ideia é acelerar o processo e evitar que o tema se arraste, contaminando outras pautas de interesse do Planalto.

Paralelamente, o assunto deve dominar reuniões entre Lula e parlamentares nas primeiras semanas de janeiro. O objetivo do governo será conter o desgaste e evitar que a insatisfação se transforme em um movimento mais amplo de enfrentamento ao Executivo.

Trégua ameaçada

Integrantes da Esplanada reconhecem que o veto mudou o clima construído no fim do ano passado, quando acordos de última hora permitiram a aprovação de medidas consideradas estratégicas para o governo. Na avaliação de um ministro, a decisão presidencial reabriu feridas que pareciam temporariamente cicatrizadas entre Executivo e Legislativo.

O impasse em torno das emendas expõe, mais uma vez, a fragilidade da relação política entre o Planalto e o Congresso e sinaliza que 2026 pode começar com um novo teste de força. Para Lula, o desafio será administrar a pressão parlamentar sem comprometer o discurso de responsabilidade fiscal, enquanto tenta manter minimamente alinhada uma base que já dá sinais de inquietação.

Fonte: Clique aqui

Créditos do autor:

Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação