A Venezuela entrou oficialmente em um novo capítulo de instabilidade política neste domingo, após a cúpula militar do país reconhecer Delcy Rodríguez como presidente interina. A decisão foi anunciada pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, poucas horas depois de a Suprema Corte venezuelana determinar a transferência temporária do comando do Executivo, em meio à detenção de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.
A medida ocorre após uma ofensiva militar americana que incluiu bombardeios em diferentes regiões do país e resultou em dezenas de mortes. Com Maduro fora do território venezuelano, o Estado passou a operar sob um regime de excepcionalidade institucional, com as Forças Armadas assumindo protagonismo na reorganização do poder.
Decisão judicial e aval da caserna
A Suprema Corte determinou que Delcy Rodríguez, até então vice-presidente, assumisse interinamente a chefia do governo para garantir a continuidade administrativa e a defesa do país. O tribunal destacou que a ausência de Maduro é resultado de uma ação externa e classificou o momento como de “afastamento forçado” do chefe do Executivo.
O respaldo imediato das Forças Armadas consolidou a decisão judicial e selou o novo arranjo de poder. O ministro da Defesa afirmou que a sucessão segue a ordem constitucional e que o alto comando militar permanece alinhado à preservação do funcionamento do Estado e da soberania nacional.
Base constitucional da sucessão
A Constituição venezuelana prevê que, em caso de impedimento ou ausência do presidente, a vice-presidente assuma o comando de forma interina. Com o aval simultâneo do Judiciário e da cúpula militar, Delcy Rodríguez passa a concentrar formalmente as atribuições do cargo, em um cenário marcado por forte pressão internacional e instabilidade interna.
Ainda segundo a Suprema Corte, a estrutura legal que regerá o país durante o período de transição será detalhada nos próximos dias, o que mantém em aberto a duração do mandato interino e os próximos passos institucionais.
Primeira reação de Delcy Rodríguez
Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Delcy Rodríguez condenou duramente a operação militar conduzida pelos Estados Unidos, classificando-a como uma agressão direta à Venezuela. A fala marcou sua primeira manifestação pública após o reconhecimento oficial como presidente interina.
O discurso buscou sinalizar continuidade política e resistência externa, ao mesmo tempo em que expôs a fragilidade do momento institucional vivido pelo país.
Poder concentrado e cenário de incerteza
Com Maduro detido no exterior e Delcy Rodríguez respaldada pelo Judiciário e pelos militares, a Venezuela passa a viver um período em que o equilíbrio entre instituições civis e a caserna se torna ainda mais sensível. Analistas apontam que o novo arranjo reforça o peso das Forças Armadas como fiadoras do poder, em um contexto de isolamento diplomático e risco de escalada regional.
A sucessão interina, longe de pacificar o país, abre uma nova fase de disputas políticas e jurídicas, enquanto a comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos de uma crise que já ultrapassou as fronteiras venezuelanas.
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