Em um cenário em que notícias falsas circulam com velocidade cada vez maior, ensinar a distinguir fatos de conteúdos manipulados se tornou um dos grandes desafios da Educação. Para fortalecer esse trabalho nas escolas, professores da rede estadual participam, desde a manhã desta quinta-feira (30), da segunda etapa da formação internacional sobre desinformação e educação midiática, realizada no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador.
A abertura da programação contou com a participação do secretário da Educação da Bahia em exercício, Marcius Gomes; da diretora-geral do IAT, Vânia Almeida; e do pesquisador da Universidad Carlos III de Madrid, Fernando Mello. Na sequência, o especialista ministrou a palestra “Desinformação e o que sabemos na literatura científica”, dando início às atividades que incluem estudos de casos, debates e apresentação de planos de aula voltados ao Ensino Médio.
Fernando Mello ressaltou que o enfrentamento à desinformação exige ações permanentes e preparação dos educadores. “A desinformação desperta a atenção global e figura entre os maiores riscos mundiais da atualidade. Nesta etapa, o foco está nos professores, porque eles têm a competência para orientar os estudantes. Nossa proposta é oferecer ferramentas para que cada docente adapte os conteúdos à realidade de seu município e às necessidades de seus alunos”, destacou.
A formação integra uma parceria entre a Secretaria da Educação da Bahia (SEC), por meio do Instituto Anísio Teixeira (IAT), a Universidad Carlos III de Madrid, a American University, de Washington (EUA) e o Instituto Palavra Aberta. Ao todo, 400 professores de Geografia, História, Filosofia e Sociologia participam do projeto, que alia qualificação docente, aplicação de atividades nas escolas e pesquisa educacional para avaliar os resultados da proposta.
Para a coordenadora pedagógica do Colégio Estadual de Aratu, em Simões Filho, Érica Talita Santos Cerqueira, a formação fortalece o trabalho desenvolvido com professores e estudantes na escola. “O curso oferece embasamento teórico e orientações práticas para enfrentarmos a desinformação no cotidiano escolar. É uma iniciativa que contribui para o uso consciente e responsável das informações”, afirmou.
O professor de Geografia do Colégio Estadual Vale dos Lagos, Ricardo Requião, destacou que o curso dialoga diretamente com os desafios enfrentados pelos educadores. “Os estudantes estão permanentemente conectados e expostos a um grande volume de informações. Desenvolver o pensamento crítico se tornou uma missão urgente e essa formação nos prepara para atender às necessidades contemporâneas da educação”, avaliou.
Nessa sexta-feira (31), os participantes irão aprofundar as discussões sobre estratégias para identificar e enfrentar a desinformação, além de refletirem sobre os impactos dos algoritmos, da plataformização e da inteligência artificial na circulação de informações. A formação busca ampliar o repertório dos educadores e fortalecer práticas pedagógicas que desenvolvam o pensamento crítico e a cidadania digital entre os estudantes da rede estadual.
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