a transformação política de Cláudio Castro

trajetória política de Cláudio Castro (PL), atual governador do Rio de Janeiro, é marcada por reviravoltas improváveis. De assessor parlamentar e cantor católico a líder de uma das gestões mais controversas da segurança pública fluminense, Castro se consolidou como figura de destaque no campo conservador após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em 121 mortes.

O episódio, que dividiu a opinião pública e gerou críticas de organismos internacionais, também elevou a popularidade do governador, hoje apontado como possível candidato ao Senado em 2026. Pesquisas recentes mostram que 40% dos cariocas avaliam seu governo como “ótimo” ou “bom”, contra 34% de reprovação.

De assessor discreto ao Palácio Guanabara

Advogado e devoto católico, Castro iniciou sua carreira política nos bastidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), como assessor do ex-deputado estadual Marcio Pacheco (PSC). Paralelamente, seguiu carreira musical, lançando dois álbuns religiosos — Em Nome do Pai (2011) e Dia de Celebração (2016). Tentou duas vezes uma vaga de vereador antes de ser eleito, em 2016, pelo PSC.

Cláudio Castro em 2020 na igreja – Foto: Reprodução/Rede social 

Em 2018, foi convidado a compor a chapa do então juiz Wilson Witzel, que surpreendeu ao vencer Eduardo Paes (à época no DEM) e chegar ao governo do Estado. Castro, então um político pouco conhecido, assumiu como vice e, dois anos depois, tornou-se governador após o impeachment de Witzel por corrupção.

Estratégia e sobrevivência

No comando do Estado desde 2021, Castro usou a habilidade política para se afastar da herança do ex-aliado e reconstruir pontes com prefeitos, deputados e até setores da esquerda. Sua reeleição em 2022, com 58,27% dos votos ainda no primeiro turno, consolidou o nome do governador entre os líderes mais influentes da direita fluminense.

Contudo, seu governo não escapou de denúncias. O Ministério Público Eleitoral o acusou de abuso de poder político e econômico na criação de cargos no Ceperj e na Uerj durante o período eleitoral. Embora tenha sido absolvido no TRE-RJ, o caso segue sob análise do TSE, após voto da ministra Maria Isabel Galiotti favorável à cassação do mandato.

Linha dura e capital político

A megaoperação policial que resultou em 121 mortes nas comunidades da Penha e do Alemão consolidou o discurso de “tolerância zero” com o crime organizado. Apesar de questionamentos da ONU e da Defensoria Pública, Castro classificou a ação como “um sucesso” e reforçou sua posição junto à base bolsonarista.

Analistas avaliam que a ofensiva fortaleceu sua imagem entre eleitores que apoiam ações de confronto direto. “Essas operações, embora polêmicas, geram retorno político porque grande parte da população está cansada do domínio das facções e das milícias”, analisa o cientista político José Paulo Martins, da Universidade Federal Fluminense.

O próximo passo

Com a aprovação em alta e o apoio do chamado “Consórcio da Paz”, que reúne governadores aliados, Castro volta ao centro das articulações nacionais da direita. Nos bastidores, é cotado para disputar uma das vagas ao Senado em 2026 — mas, para isso, precisará renunciar ao governo até abril do mesmo ano.

O desafio agora será definir quem assumirá o comando do Estado. O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, surgem como possíveis nomes do grupo para a sucessão.

De cantor religioso a símbolo da linha dura, Cláudio Castro parece ter encontrado na segurança pública a chave para manter viva sua ascensão política — mesmo sob a sombra de um julgamento que pode custar-lhe o cargo.

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