A Bolsa de Valores brasileira encerrou 2025 com um desempenho histórico. O Ibovespa acumulou alta de 33,7% ao longo do ano, o melhor resultado desde 2016, quando o índice avançou 39% em meio ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). O movimento foi acompanhado pela valorização do real frente ao dólar, que fechou o ano com queda de 11,19% da moeda americana, também o maior recuo desde aquele período.
O forte avanço dos ativos brasileiros ocorreu em um cenário global marcado pela redução dos juros nos Estados Unidos. O Federal Reserve promoveu três cortes ao longo de 2025, diminuindo a taxa básica americana e estimulando a migração de recursos de ativos considerados mais seguros para mercados emergentes, como o Brasil. Esse ambiente favoreceu o fluxo de capital estrangeiro para a B3, que recebeu R$ 26,8 bilhões em investimentos externos até 23 de dezembro.
Além do ciclo de queda dos juros nos EUA, a desvalorização global do dólar e as incertezas em torno da política econômica protecionista do presidente americano Donald Trump ampliaram o apetite ao risco fora do eixo norte-americano. Com isso, países emergentes passaram a ser vistos como alternativas atrativas para diversificação de portfólio.
No cenário doméstico, o fim do ciclo de alta da Selic e a expectativa de cortes na taxa básica de juros a partir de 2026 reforçaram o otimismo do mercado. A perspectiva de juros mais baixos reduziu o custo de oportunidade e aumentou o interesse por renda variável. Outro fator decisivo foi o nível de desconto das ações brasileiras, com empresas negociadas a preços considerados baixos em relação à média histórica e a pares globais.
Apesar do rali expressivo, analistas ponderam que o desempenho da Bolsa não reflete, necessariamente, uma melhora estrutural da economia. A inflação segue resistente, a situação fiscal continua pressionando e o crescimento econômico inspira cautela, ainda que o desemprego tenha apresentado leve recuo.
Um ponto de atenção destacado por especialistas é a queda no volume financeiro negociado na B3. O volume médio diário do mercado à vista ficou em R$ 16,4 bilhões no terceiro trimestre, o menor nível desde 2019, o que levanta dúvidas sobre a sustentação do movimento de alta no longo prazo.
Mesmo assim, a expectativa para 2026 segue positiva. Historicamente, ciclos de queda da Selic favorecem o desempenho do Ibovespa, e o mercado já projeta novos avanços, ainda que com volatilidade adicional por conta do calendário eleitoral. Projeções de grandes instituições financeiras indicam que o índice pode alcançar patamares entre 165 mil e 180 mil pontos, com cenários mais otimistas apontando níveis ainda mais elevados.
O desempenho de 2025 consolida a Bolsa brasileira como um dos destaques globais do ano, em um movimento que recoloca o mercado nacional no radar dos grandes investidores internacionais.
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