A relação entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atravessa mais um momento de tensão. Após o senador divulgar uma nota dura acusando setores do Executivo de tentar vinculá-lo a supostas negociações de cargos para facilitar votações no Congresso, a ministra Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política, saiu a público para negar qualquer tipo de barganha.
A ministra reagiu horas depois da manifestação de Alcolumbre, que havia afirmado haver interferência indevida do governo no processo de avaliação da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em resposta, Gleisi retomou o discurso de respeito institucional e buscou minimizar o atrito.
Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que o governo Lula mantém com o presidente do Senado “o mais alto respeito e reconhecimento”. E rejeitou com firmeza a narrativa de que haveria tratativas envolvendo cargos ou emendas.
“Jamais consideraríamos rebaixar a relação institucional a qualquer espécie de fisiologismo. O governo repele tais insinuações por serem ofensivas à verdade e às instituições”, declarou.
A nota de Alcolumbre elevou a temperatura ao chamar de “ofensivas” as tentativas de associá-lo às dificuldades de Messias em angariar votos no Senado. O senador também destacou que não aceitará insinuações que atinjam o Legislativo.
Pressão, frustração e a disputa pela vaga no STF
O pano de fundo do desgaste envolve a disputa pela indicação à vaga aberta no Supremo. Alcolumbre defendia publicamente o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por Messias, o que gerou frustração entre aliados do presidente do Senado.
Com Messias ainda enfrentando dificuldades para consolidar apoio, Alcolumbre marcou a sabatina para 10 de dezembro, um prazo considerado apertado pelo entorno do AGU. Nos bastidores, o Planalto adotou uma estratégia para ganhar tempo: ainda não enviou a mensagem presidencial que formaliza a indicação ao Senado, etapa obrigatória para que a votação seja pautada.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar, confirmou o impasse. Segundo ele, sem o envio da mensagem, a análise pode ficar para 2026.
“Não existe possibilidade de votar sem a mensagem presidencial. Caso não seja enviada, não vejo problema em deixar para o ano que vem. Não é uma urgência”, afirmou.
Otto também explicou que a carta de Alcolumbre foi uma reação ao que circulou na imprensa.
“A acusação de que ele impôs cargos não é verdadeira. Ele apenas defendeu o nome de Pacheco. Não deu certo, e ele ficou decepcionado”, disse.
Governo não evita ruídos
Mesmo antes da nova tensão, ministros já buscavam contornar o clima desfavorável. Na cerimônia que celebrou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, Gleisi e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiaram a atuação de Alcolumbre e de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara. Os dois, porém, não compareceram ao evento, um sinal claro de que o mal-estar persistia.
Fonte: Clique aqui
Créditos do autor:
Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação
