O fenômeno Bolsonaro terá dificuldades para governar.

Bolsonaro é um político (e um fenômeno) de massas. Possui o que nenhum outro político tem no Brasil atualmente: uma militância fiel, organizada e gratuita (ainda muito virtual, de redes sociais, é verdade, porém cada vez mais atuante nas ruas), com a qual estabeleceu empatia e laços fortes. Sua ascensão se deve à identificação que desperta nas pessoas, sobretudo nas agendas de costumes e ética. O candidato tem, portanto, chances boas e reais de vencer o pleito presidencial em 2018.
Até agora, no entanto, nem ele nem seus eleitores têm demonstrado preocupação com algo fundamental: a eleição de uma bancada conservadora forte e coesa no congresso nacional, que dê suporte legislativo às mudanças que pretende tocar e que sirva de amortecedor a todos os ataques ferozes que sofrerá em um eventual governo seu, promovidos por toda a esquerda e sua enorme máquina e o establishment.
Sem apoio legislativo seu governo terá enormes dificuldades, o que não significará paralisia. Para contornar isso será indispensável que sua militância e o povo desejoso de mudanças que o eleger mantenham apoio incondicional a ele, pressionando o congresso nacional a acompanhar a vontade popular (parlamentar tem medo da opinião pública e geralmente acompanha o que a pressão das ruas sinaliza).
Seu maior problema será (aparentemente insoluvel e que poderá inviabilizar ou reduzir o alcance de seu governo) o STF, cujos membros, notoriamente alinhados à esquerda e à classe política brasileira, são vitalícios, inamovíveis e por isso mesmo alheios à opinião pública.
Por: Marcos Julho