Os números mais recentes da corrida presidencial revelam um dado incômodo para a oposição, enquanto a direita segue fragmentada, o presidente Lula da Silva (PT) permanece confortável na liderança. Ao mesmo tempo, os próprios cenários testados indicam que, se houver unificação do campo conservador, a disputa muda de patamar e Lula deixa de nadar em águas tranquilas.
A pesquisa mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) quando ambos são incluídos no mesmo cenário. Ainda assim, essa divisão interna dilui forças e abre uma vantagem artificial para o presidente, que lidera com 47,9%, mais de 26 pontos à frente do segundo colocado.
Direita dividida amplia vantagem de Lula
No cenário em que Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas aparecem juntos, a soma dos votos da direita supera com folga a marca individual de Lula. No entanto, como os votos estão pulverizados entre vários nomes, o presidente acaba isolado na liderança, sem enfrentar um adversário direto.
Esse mesmo fenômeno se repete quando outros nomes da direita entram na disputa, como Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Jr. (PSD). A fragmentação transforma uma possível disputa equilibrada em um cenário confortável para o Planalto.
Veja os cenários testados pela AtlasIntel para a eleição para presidente:
Cenário 1 (com Flávio e Tarcísio)
- Lula (PT): 47,9%
- Flávio Bolsonaro (PL): 21,3%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 15%
- Ronaldo Caiado (União): 4,4%
- Ratinho Jr. (PSD): 4,1%
- Romeu Zema (Novo): 3%
- Renan Santos (Missão): 2,4%
- Branco/nulo: 1%
- Não sei: 1%
Cenário 2 (com Flávio e sem Tarcísio)
- Lula (PT): 48,1%
- Flávio Bolsonaro (PL): 29,3%
- Ronaldo Caiado (União): 7,2%
- Ratinho Jr. (PSD): 3,9%
- Romeu Zema (Novo): 3,8%
- Renan Santos (Missão): 3,2%
- Branco/nulo: 2,3%
- Não sei: 1%
Cenário 3 (com Tarcísio e sem Flávio)
- Lula (PT): 48,8%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 28,3%
- Ronaldo Caiado (União): 5,5%
- Romeu Zema (Novo): 3,8%
- Ratinho Jr. (PSD): 3,4%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Branco/nulo: 5,4%
- Não sei: 1,9%
Cenário 4 (com Michelle e sem Flávio e Tarcísio)
- Lula (PT): 48,8%
- Michelle Bolsonaro (PL): 30%
- Ronaldo Caiado (União): 7,5%
- Romeu Zema (Novo): 3,9%
- Ratinho Jr. (PSD): 3,6%
- Renan Santos (Missão): 3,2%
- Branco/nulo: 2,1%
- Não sei: 0,7%
Cenário 5 (sem nenhum Bolsonaro ou Tarcísio)
- Lula (PT): 48,8%
- Ronaldo Caiado (União): 16,3%
- Romeu Zema (Novo): 11,7%
- Ratinho Jr. (PSD): 9%
- Renan Santos (Missão): 3,6%
- Branco/nulo: 7,7%
- Não sei: 2,8%
Cenário 6 (com Haddad substituindo Lula)
- Fernando Haddad (PT): 43,9%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 28,5%
- Ronaldo Caiado (União): 6,1%
- Romeu Zema (Novo): 4,1%
- Ratinho Jr. (PSD): 4,1%
- Renan Santos (Missão): 3,2%
- Branco/nulo: 7,7%
- Não sei: 2,4%
A AtlasIntel coletou 18.154 entrevistas pela internet entre os dias 10 e 15 de dezembro. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos.
Empate técnico quando a disputa é individual
Quando Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas são testados separadamente contra Lula, o quadro muda. Ambos aparecem em empate técnico, dentro da margem de erro, o que evidencia que o problema da direita não é falta de votos, mas excesso de candidatos.
O dado reforça a tese de que Lula só mantém a dianteira enquanto enfrenta vários adversários ao mesmo tempo. Em um confronto direto e com discurso unificado, o presidente deixa de ser imbatível.
Entre os nomes ligados ao bolsonarismo, Michelle Bolsonaro (PL-DF) é quem apresenta melhor desempenho individual. Mesmo ainda atrás de Lula, ela concentra o eleitorado conservador de forma mais eficiente do que outros pré-candidatos, reduzindo a dispersão de votos.
O desempenho de Michelle reforça a leitura de que o eleitor da direita responde melhor quando há clareza de liderança e ausência de disputas internas.
Soma dos votos revela potencial de vitória
Os cenários deixam claro que a soma das intenções de voto dos candidatos da direita ultrapassa, com folga, os percentuais de Lula. A dificuldade está em transformar esse potencial em uma candidatura única, capaz de enfrentar o presidente em igualdade de condições.
Sem unidade, Lula segue liderando. Com unidade, o jogo vira e a eleição passa a ser disputada voto a voto.
Fragmentação interessa apenas ao Planalto
O levantamento escancara um fato político central, a divisão da direita é hoje o principal trunfo do governo Lula. Enquanto lideranças conservadoras disputam protagonismo, o presidente mantém sua vantagem sem precisar ampliar base ou apresentar grandes resultados.
A mensagem do eleitorado é direta, se a direita se unir, Lula pode ser derrotado. Se continuar fragmentada, o Planalto agradece.
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