De acordo com as investigações, Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, agiu com o apoio de outras duas técnicas de enfermagem, também detidas
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga uma série de crimes ocorridos dentro do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. As informações são do Fantástico, da TV Globo.
Um técnico de enfermagem foi preso sob a acusação de matar três pessoas ao aplicar desinfetante e cloreto de potássio, uma substância de uso controlado, em pacientes internados na UTI.
De acordo com as investigações, Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, agiu com o apoio de outras duas técnicas de enfermagem, Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos e Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, que também foram detidas.
Inicialmente, Marcos Vinicius afirmou que cometeu o crime porque o “hospital estava muito movimentado”. Depois, mudou a versão e disse que estaria “aliviando a dor dos pacientes”. A informação foi confirmada pelo delegado Wislley Salomão.
A polícia apura se há mais vítimas. O hospital instaurou uma sindicância para apurar os fatos ocorridos em 17 de novembro, quando dois pacientes sofreram paradas cardíacas durante a tarde e morreram horas depois.
Vítimas
Marcos Moreira, João Clemente Pereira e Miranilde Pereira. morreram na UTI de hospital particular do DF. Foto: Reprodução/Redes sociais
As vítimas foram Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, internada por constipação, e João Clemente Pereira, de 63, que apresentava tonturas havia um mês e teve diagnosticado um hematoma na membrana que reveste o cérebro.
A apuração interna, segundo o Fantástico, concluiu que as mortes tiveram relação direta com os técnicos Marcos Vinicius e Marcela Camilly. Posteriormente, a sindicância identificou a participação de Amanda Rodrigues nos dias dos óbitos.
“Todas vezes em que ele aplicou alguma medicação na veia dos pacientes, em poucos segundos eles entraram em parada cardíaca”, afirmou o delegado Wislley Salomão.
Além dos medicamentos, Marcos Vinicius também teria injetado um desinfetante. A princípio, a polícia acreditava que o produto havia sido aplicado apenas em Miranilde, no leito 24.
No entanto, a reanálise das imagens de segurança revelou que João Clemente, que ocupava o leito 25, também recebeu a substância. Cada leito da UTI é monitorado por câmeras.
Cerca de 40 minutos após a primeira aplicação, Marcos Vinicius administrou uma segunda dose do medicamento. Miranilde sofreu nova parada cardíaca, foi socorrida e voltou a sobreviver. Os filhos da paciente estavam no hospital e acompanharam a ocorrência.
Conforme a perícia, horas depois o técnico injetou cloreto de potássio em João Clemente, que também sofreu uma parada cardíaca, foi reanimado e sobreviveu. Em seguida, Marcos Vinicius retornou ao leito de Miranilde e aplicou uma nova injeção, provocando uma terceira parada cardíaca, novamente revertida pela equipe médica.
Pouco depois, o técnico aplicou desinfetante diante das técnicas de enfermagem Marcela e Amanda. Segundo a investigação, os três participaram dos procedimentos de ressuscitação. Após a aplicação do produto, Miranilde sofreu uma quarta parada cardíaca. O técnico voltou a injetar o desinfetante, e a paciente morreu.
Ainda na mesma noite, de acordo com a polícia, Marcos Vinicius realizou mais duas aplicações de cloreto de potássio em João Clemente e também injetou desinfetante. Ele morreu na madrugada do dia seguinte.
A terceira vítima foi o carteiro Marcos Raymundo Moreira, internado no Hospital Anchieta em 18 de novembro com suspeita de pancreatite. Apesar do quadro inicial, ele sofreu uma parada cardíaca, foi intubado e permaneceu internado por 14 dias. Segundo a polícia, Marcos Raymundo teve uma segunda parada em 1º de dezembro e morreu após receber uma injeção aplicada por Marcos Vinicius.
O técnico está preso temporariamente na carceragem do Complexo da Polícia Civil do Distrito Federal.
Circunstâncias atípicas
Em nota, o Hospital Anchieta afirmou que demitiu os três auxiliares e acionou a Polícia Civil após um comitê interno identificar “circunstâncias atípicas” nas mortes de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo o hospital, em menos de 20 dias, uma apuração considerada célere e rigorosa resultou na identificação de indícios que envolvem os ex-técnicos de enfermagem. A instituição afirmou ainda que, ao registrar a ocorrência, repassou à Polícia Civil todas as informações e evidências levantadas pelo comitê.
“O hospital, também vítima da ação desses ex-funcionários, se solidariza com os familiares das vítimas e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas”, diz a nota, que reafirma o compromisso da instituição com a segurança dos pacientes, a verdade e a Justiça.
O Anchieta acrescentou que entrou em contato com os familiares das três vítimas para prestar os esclarecimentos necessários, respeitando o segredo de Justiça.
Caso aconteceu no hospital Anchieta, em Taguatinha, no Distrito Federal
