Silêncio, medo e corrida por comida marcam a Venezuela após captura de Maduro

A Venezuela amanheceu em estado de choque após a captura de Nicolás Maduro em uma operação determinada pelos Estados Unidos. Um dia depois da ação, o país entrou em uma nova fase marcada por silêncio incomum, temor coletivo e incerteza absoluta sobre os próximos passos políticos e sociais.

Em Caracas e em outras grandes cidades, ruas vazias contrastaram com filas extensas em supermercados e farmácias. A população, receosa de confrontos, saques ou novas restrições, priorizou o abastecimento de itens básicos, como alimentos, água e medicamentos.

Corrida por suprimentos expõe clima de insegurança

Desde as primeiras horas do domingo, moradores começaram a se concentrar diante de mercados em bairros populares e centrais da capital. Carrinhos cheios de água, papel higiênico e alimentos tornaram-se cena recorrente, enquanto prateleiras iam sendo esvaziadas rapidamente.

Em diferentes regiões do país, produtos essenciais começaram a faltar. Em algumas cidades, carnes, ovos e laticínios desapareceram ainda pela manhã, obrigando consumidores a improvisar e gastar tudo o que tinham disponível.

Medo de repressão mantém cidades paralisadas

Grande parte do comércio permaneceu fechada, assim como postos de gasolina e igrejas. A ausência de circulação foi interpretada por moradores como reflexo do medo de repressão estatal ou de represálias contra quem demonstrasse qualquer reação pública ao colapso do poder central.

Moradores relataram que preferiram não sair de casa diante da falta de informações oficiais claras, do receio de decretos de emergência e da possibilidade de toque de recolher não anunciado.

Transporte reduzido e apagões ampliam tensão

O transporte público opera com capacidade limitada. Metrô e trens funcionam, mas com poucos passageiros. Em diversas áreas, moradores se aglomeraram em estações em busca de pontos para recarregar celulares, evidenciando falhas no fornecimento de energia elétrica desde os ataques.

A instabilidade nos serviços básicos reforçou a sensação de abandono e aumentou a percepção de que o país atravessa um momento de ruptura institucional profunda.

Aeroportos fechados isolam o país

O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal porta de entrada da Venezuela, permanece fechado, sem voos domésticos ou internacionais. Outros terminais regionais também suspenderam operações, aprofundando o isolamento do país em meio à crise.

A interrupção dos voos alimenta o temor de que a situação possa se prolongar, dificultando saídas emergenciais e o fluxo de ajuda externa.

Civis atingidos e bairros em ruínas

No estado costeiro de La Guaira, famílias passaram o dia removendo escombros deixados pelas explosões da operação militar. Prédios ficaram parcialmente destruídos e residências foram severamente danificadas.

Moradores relataram mortes de civis e feridos em áreas residenciais. Entre os relatos mais dramáticos estão os de famílias que perderam parentes sem qualquer vínculo com o governo ou forças de segurança.

País suspenso entre medo e expectativa

Entre a apreensão e a esperança, os venezuelanos vivem horas de absoluta indefinição. Sem liderança clara, com serviços limitados e sob impacto direto da ação militar estrangeira, a população tenta se proteger como pode.

O silêncio das ruas, o fechamento das cidades e a corrida por suprimentos revelam mais do que cautela. Expõem um país em suspensão, à espera de respostas que ainda não chegaram.

Fonte: Clique aqui

Créditos do autor:

Créditos da imagem: Reprodução/Divulgação