Senadora era cotada para reeleição e também a vice na chapa de Henrique Meirelles.
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| A senadora Martha Suplicy – Marcelo Camargo / Agência Brasil |
BRASÍLIA E SÃO PAULO — A senadora Marta Suplicy decidiu nesta sexta-feira se desfiliar do MDB e não concorrer a nenhum cargo nas eleições deste ano. Além de uma possível candidatura à reeleição para o Senado, ela era cogitada ainda como vice na chapa presidencial do ex-ministro Henrique Meirelles. A decisão de sair do partido foi comunicada ao presidente da legenda, Romero Jucá, na tarde desta sexta-feira, e logo confirmada em carta da senadora divulgada pela assessoria.
Marta estava insatisfeita com o governo Michel Temer e já avaliava abandonar o partido há duas semanas, segundo fonte ouvida pelo GLOBO. As pesquisas desfavoráveis para a reeleição ao Senado também deixaram Marta incomodada.
— A Marta me ligou para avisar que não será candidata à reeleição no Senado, que está se desfilando do MDB, que não vai participar mais da eleição — disse Jucá ao GLOBO. — Está se retirando da vida político-partidária, mas vai continuar defendendo suas bandeiras— afirmou, citando como exemplos a defesa das mulheres, minorias e do desenvolvimento social.
Marta justificou a decisão, segundo Jucá, devido ao “grande retrocesso no Congresso”, e acrescentou que vê outros caminhos, fora dos partidos, para continuar sua militância política. A senadora estava filiada ao MDB desde setembro de 2015.
Na carta intitulada “Carta aos Paulistas”, Marta confirma a decisão de deixar o MDB e não concorrer às eleições, e faz uma crítica aos partidos brasileiros.
“Não é novidade que os partidos políticos brasileiros, de forma geral, encontram-se fragilizados, acuados e sem norte político (…) A relação de grande parte dos partidos e de parlamentares com o Executivo na base de nomeações e vantagens levou ao insuportável “toma lá dá cá”, afrontando todos os padrões de dignidade e honradez da sociedade. Esse sistema faliu e precisa ser, urgentemente, reformado”.
Marta agradeceu os 8,3 milhões de paulistas que a deram a oportunidade de, nos últimos 8 anos, trabalhar como senadora, e citou algumas de suas bandeiras, como o combate às desigualdades, às injustiças sociais e a militância pelos direitos das mulheres e da população LGBTI.
No fim do texto, a senadora considera que poderá contribuir para mudanças atuando mais na sociedade civil do que no parlamento, e defende um projeto nacional de desenvolvimento e o aumento da produção e riqueza.
“Isso possibilitará todo brasileiro e toda brasileira terem educação de qualidade, saúde, segurança e um emprego para trabalhar e viver com dignidade”, diz.
Fonte: O Globo
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