O candidato das redes sociais agora é o candidato das ruas

diversos
Esta eleição de 2018 já seria histórica por diversos fatores.
Seja o fim da polarização PT-PSDB, o fato de ser a primeira eleição da história recente sem o ex-presidente Lula subindo em palanques para pedir votos, a influência crescente da internet, o atentado contra a vida de um candidato presidencial, não faltam motivos para considerar 2018 um marco, mas essa eleição não deixa de nos surpreender.
De um lado forma-se um bloco monolítico, reunindo artistas, formadores de opinião, especialistas, velhos políticos, antigos adversários. Todo o estamento burocrático e a elite intelectual do país contra um homem: Jair Bolsonaro.
O tempo de TV do PSDB é utilizado quase que completamente para atacá-lo com uma virulência que os tucanos jamais usaram para atacar o PT. Mais à esquerda, desde os lunáticos do PSOL até os cangaceiros do PDT, passando pelo PT e seus apaniguados, o que não faltam são acusações e adjetivações.
Odeia pobre, é racista, é machista, até de nazista Bolsonaro é chamado, evidenciando o nível de exasperação que os velhos jogadores da política estão com a ascensão irresistível do deputado nas pesquisas.
E esta ascensão pode ser creditada quase que exclusivamente ao cidadão médio, ao vulgo, ao grupo de Whatsapp da família, ao cidadão que manda fazer algumas camisetas e adesivos e os distribui por conta própria, às milhares de carreatas que tomam o país nos finais de semana, quando toda essa gente troca a sua folga do trabalho por fazer campanha.
Só no último final de semana, de acordo com vídeos postados nas redes sociais de Jair Bolsonaro, ocorreram eventos espontâneos no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Tocantins, Pernambuco, Bahia, Goiás, Pará, Ceará, Santa Catarina.
Pequenas, médias e grandes cidades, tomadas por uma gente de verde e amarelo que resolveu canalizar seu “saco cheio” com a política, os altos impostos, os péssimos serviços, a corrupção que debocha do cidadão, na candidatura do capitão reformado do Exército.
Seja qual for o resultado final, um novo ethos parece ter surgido: o brasileiro resolveu deixar de ser um mero espectador, referendando escolhas feitas em gabinetes. Deixou de se contentar com disputas de fancaria que terminam em acordões e distribuição de cargos.
Seja qual for o resultado final, parece que o tempo dos milhões em fundo partidário, dos longos minutos em tempo de TV, das alianças espúrias, das “máquinas”, tudo isso está com os dias contados.
O diabo que os carregue.
Fonte: Jornal Hora extra

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