Principais concorrentes, Skaf e França não miraram tucano, que hoje teve os direitos políticos suspensos pela Justiça paulista. Ainda cabe recurso.
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Sete candidatos ao governo de São Paulo participam de debate realizado pela RedeTV! – 24/08/2018 (Fabio Vieira/Fotorua/Estadão Conteúdo)
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Os candidatos ao governo de São Paulo fizeram na noite desta sexta-feira, 24, na Rede TV!, o segundo debate da disputa eleitoral paulista. Participaram do encontro sete dos doze candidatos ao Palácio dos Bandeirantes: João Doria (PSDB), Paulo Skaf (MDB), Márcio França (PSB), Luiz Marinho (PT), Marcelo Cândido (PDT), Professora Lisete Arelaro (PSOL) e Rodrigo Tavares (PRTB).
Assim como no primeiro debate, há uma semana, na TV Bandeirantes, embora em menor escala, Doria voltou a ser criticado por adversários por ter deixado a Prefeitura de São Paulo menos de dois anos após ter sido eleito em primeiro turno, em 2016. Desta vez, os ataques vieram dos candidatos de PT e PSOL, Marinho e Lisete, respectivamente. O petista ainda mencionou a decisão da Justiça de suspender os direitos políticos do tucano por quatro anos, tomada hoje, da qual ainda cabe recurso. Skaf e França, que no embate anterior também miraram o tucano, não fizeram o mesmo na Rede TV!.
Ao responder a Luiz Marinho e Lisete Arelaro, João Doria manteve a estratégia de se posicionar como candidato anti-PT e anti-esquerda, visando, sobretudo, ao eleitorado do interior paulista.
Doria lidera as pesquisas de intenção de voto ao governo de São Paulo, com 25% da preferência, conforme o levantamento Datafolha divulgado nesta semana. Ele é seguido por Paulo Skaf, que tem 20%, e França e Marinho, cada um com 4%.
Como foi o debate
No primeiro bloco, todos os candidatos responderam perguntas sobre segurança pública e questões sorteadas feitas por eleitores. Ressaltando ser “o candidato do Lula em São Paulo”, Luiz Marinho criticou os governos do PSDB no estado, que somam 24 anos, e culpou os tucanos pelo crescimento e expansão do PCC em outros estados do país. Sem citar o partido que tem se mantido no Palácio dos Bandeirantes desde 1995, Marcelo Cândido falou em “acordo velado” entre o governo e organizações criminosas.
João Doria voltou a prometer polícia “padrão Rota”, uma referência à tropa de elite da PM paulista. “Com a Rota não se brinca”, disse o tucano, repetindo o que já havia dito no debate da Band. Ele ainda rebateu Marinho: “de crime organizado o seu partido, o PT, conhece muito bem”. A declaração do ex-prefeito de São Paulo fez com que o petista pedisse direito de resposta, que foi negado pela produção.
Assim como no debate anterior, França lembrou ter homenageado a cabo da PM Katia Sastre, que matou um homem que tentou assaltar pessoas em frente a uma escola em Suzano (SP). Skaf ressaltou que tem uma tenente-coronel da PM, Carla Basson, como candidata a vice em sua chapa e prometeu o fim das “saidinhas” de presos das cadeias em feriados. Já Tavares, ao contrário do debate anterior, disse logo de cara que representa a chapa de Jair Bolsonaro (PSL) e Hamilton Mourão (PRTB) na disputa paulista. Ele prometeu criar o “CSI paulista” para combater o crime.
No segundo bloco, destinado a perguntas de jornalistas, João Doria foi questionado pela primeira vez sobre sua promessa, registrada em carta, de que não deixaria a Prefeitura de São Paulo – ele acabou renunciando ao cargo um ano e quatro meses depois da posse, tendo, antes disso, tentado ser o candidato do PSDB à Presidência da República. O tucano respondeu que se candidatou para “dar continuidade ao trabalho do Geraldo Alckmin”. Escolhido para comentar a resposta do tucano, Paulo Skaf citou o próprio pai: “ninguém é obrigado a firmar compromisso, mas, uma vez prometido, tem que cumprir”.
Em outra questão, Márcio França foi indagado sobre se há dubiedade em torno de sua candidatura devido a seu partido, o PSB, ter firmado um acordo informal com o PT no plano nacional, enquanto, no plano estadual, ele é aliado de Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB. O governador respondeu que seu partido ficou dividido e ressaltou ser “leal” a Alckmin, de quem foi vice. No comentário, Doria aproveitou a bola levantada, concordou com o adversário e disse que seu partido fez um “excepcional governo” em São Paulo.
Depois de ter o pedido de resposta negado pela comissão do debate, Luiz Marinho aproveitou um comentário que fez sobre obras do metrô até o aeroporto de Guarulhos – “fracasso de gestão do PSDB” e “incompetência tamanha”, em suas palavras – para responder a João Doria. “Quem entende de organização criminosa é seu partido, que tem acordo com eles”, atacou.
O bloco foi marcado por uma falha do inexperiente Rodrigo Tavares, do PRTB, que se atrapalhou ao comentar uma resposta de Marinho sobre corrupção. “[Luiz Marinho] Tem, sim, muito a explicar, tem, sim, esse tipo de comportamento. Nós não, nós somos… Nós sim, nós não, nós sim, nós não? Não sei. O que eu quero dizer é que o nosso querido aqui…”, enrolou-se o jovem candidato. Em sua participação seguinte, Tavares pediu desculpas “humildemente” pelo lapso, explicou ter tido um “piripaque do Chaves” e, prevendo os memes, afirmou que é necessário “rir de si mesmo”.
Fonte: Revista Veja
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