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Último partido pró-democracia de Hong Kong anuncia dissolução e sela fim da oposição organizada

Bahia

O Partido Democrático de Hong Kong, último grande representante da oposição pró-democracia ainda em atividade na antiga colônia britânica, anunciou neste domingo (14) sua dissolução oficial. A decisão, tomada após o congresso anual da legenda, simboliza o colapso definitivo da oposição organizada no território e escancara os efeitos do endurecimento político imposto por Pequim.

O presidente da sigla, Lo Kin-hei, confirmou publicamente o encerramento das atividades e afirmou que o partido chegou ao seu limite histórico. Fundado no fim do período colonial britânico, o Partido Democrático foi, por décadas, a principal força liberal e crítica ao poder central chinês em Hong Kong.

Pressão crescente de Pequim

O anúncio ocorre em meio ao recrudescimento do controle do governo chinês sobre a cidade, especialmente após os grandes protestos pró-democracia de 2019. Desde então, a imposição da lei de segurança nacional alterou radicalmente o cenário político local, enfraquecendo a oposição e empurrando ativistas para a prisão ou para o exílio.

Sem representantes no Conselho Legislativo e tampouco nos conselhos distritais, o Partido Democrático já vinha operando de forma residual. O próprio Lo Kin-hei havia classificado, em ocasiões anteriores, a dissolução como inevitável, diante do fechamento sistemático do espaço político.

Lei dos “patriotas” e eleições controladas

A situação se agravou ainda mais em 2021, quando Pequim aprovou uma legislação que restringiu o direito de governar Hong Kong apenas a candidatos considerados “patriotas”. A medida reduziu drasticamente a representação democrática, redesenhou o sistema eleitoral e instituiu um comitê de seleção alinhado aos interesses do governo central chinês.

Na prática, o novo modelo consolidou o controle político e inviabilizou a participação de forças oposicionistas, mesmo aquelas que buscavam atuar dentro das regras institucionais.

Diálogo frustrado e isolamento político

Em 2010, o Partido Democrático tentou uma estratégia de aproximação com Pequim, negociando um acordo sobre reformas políticas. O movimento, porém, foi duramente criticado por apoiadores e aliados, que enxergaram a iniciativa como uma concessão excessiva. Apesar das críticas, a legenda conseguiu manter protagonismo por alguns anos, até o fechamento definitivo do sistema.

Com a lei de segurança nacional em vigor, a trajetória do partido entrou em declínio acelerado.

Prisões e condenações

O golpe final veio com a condenação de quatro parlamentares do partido em 2024. Eles receberam penas de até seis anos e nove meses de prisão, acusados de conspiração e subversão após participarem de eleições primárias não oficiais, interpretadas pela Justiça como tentativa de derrubar o governo.

Desde então, batidas policiais, prisões de militantes e perseguições a familiares tornaram-se recorrentes, alimentando incertezas e selando o destino da sigla.

Com a dissolução do Partido Democrático, Hong Kong fecha um capítulo histórico e entra definitivamente em uma nova fase política, marcada pela ausência de oposição institucional e pela consolidação do poder de Pequim sobre a antiga colônia.

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