“Ela (corrupção) acontece também no Diário Oficial, disfarçada de atos oficiais”, disse coronel à reportagem do El País Brasil
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| Foto: divulgação |
O candidato a vice-presidente na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), General Mourão (PRTB), hoje de reserva, é acusado por um coronel também de reserva de favorecer uma empresa espanhola em um contrato com o Exército, de acordo com reportagem do El País Brasil desta quarta-feira (8).
“A corrupção nem sempre acontece com mala de dinheiro. Ela acontece também no Diário Oficial, disfarçada de atos oficiais”, disse o coronel da reserva Rubens Pierrotti Junior, de 49 anos.
Pierrotti foi supervisor operacional durante o desenvolvimento do Simulador de Apoio de Fogo (SAFO) do Exército Brasileiro, elaborado pela companhia espanhola Tecnobit. O programa se destina à projeção de cenários e missões virtuais para treinamentos de militares.
Ao longo do desenvolvimento do simulador, a Tecnobit recebeu um total de oito reprovações do corpo técnico do Exército de etapas que eram dadas como concluídas. Mais de dez oficiais foram afastados ou pediram para deixar o projeto. Pierrotti foi um deles e pediu seu afastamento em março de 2014, após ele mesmo reprovar sete vezes o simulador.
O general Mourão, que a partir de 2012 passou a se envolver mais na coordenação do projeto, teria feito a interface entre o Exército e a Tecnobit.
Suspeitas de fraude – Pierrotti narra que as conversas e os problemas sobre o projeto SAFO começaram no primeiro semestre de 2010, meses antes da contratação da empresa que o desenvolveria. Um processo que teria sido “moldado” para favorecer a Tecnobit.
“A Diretoria de Educação Superior Militar, chefiada na época pelo general Marco Aurélio Costa Vieira e subordinada ao Departamento de Educação e Cultura do Exército, resolveu encampar essa ideia e comprar o simulador da Tecnobit a qualquer custo”, afirma ao jornal. Pierrotti conta que antes mesmo de a licitação ser aberta, “todo mundo já sabia” que haveria “uma missão para a Espanha”.
Outra fonte próxima ao projeto, que não quis se identificar à reportagem, confirmou o conhecimento prévio da empresa que ganharia o contrato e relatou que o então chefe do Departamento, o general Rui Monarca da Silveira, chefe de Marco Aurélio, “deu total apoio” à empreitada.
Fonte: Bahia.ba
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