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Pauta trabalhista de Lula acende alerta no setor privado e vira foco de tensão para 2026

Bahia

A agenda trabalhista que o presidente Lula da Silva (PT) pretende levar ao centro do debate nas eleições de 2026 já provoca forte reação no setor produtivo. Empresários e economistas ouvidos pela GloboNews, demonstraram preocupação com o impacto financeiro das propostas, tanto para as companhias quanto para os cofres públicos, que podem enfrentar um rombo bilionário ainda não calculado.

Durante cerimônia no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (26), onde sancionou a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, Lula voltou a defender duas bandeiras: a redução da jornada de trabalho no regime 6×1 e o fim da tributação sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) acima de R$ 8.214,00. Os temas, segundo auxiliares, devem integrar o projeto de governo do petista.

Ao comentar o assunto em entrevista, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu que o presidente “simpatiza” com o debate sobre jornada reduzida, mas ponderou que não há definição. “Os estudos estão sendo feitos. É possível que esse debate ganhe força durante as eleições”, afirmou.

No setor privado, porém, a resistência é ampla. Sectors como comércio, indústria e serviços, intensivos em mão de obra,  avaliam que uma eventual redução de jornada elevaria drasticamente os custos trabalhistas. Como mostrou a GloboNews, um estudo internacional do UBS concluiu que o Brasil precisa produzir mais antes de trabalhar menos, tese repetida por líderes empresariais.

Quanto à isenção da PLR, Haddad classificou a demanda dos trabalhadores como “absolutamente legítima”, mas alertou que qualquer decisão exige estimativa precisa de impacto fiscal. A proposta não traria custo ao setor privado, mas representaria nova perda de arrecadação para a União. Empresários já avisam que não aceitarão compensações via aumento de impostos, e afirmam contar com apoio de parlamentares do Centrão e da oposição para barrar tentativas de elevar a carga tributária.

Outras propostas em discussão

A pauta trabalhista do PT para 2026 ainda inclui dois projetos de grande alcance: o fim das tarifas de ônibus e novas regras para trabalhadores de aplicativos.

Lula encomendou ao Ministério da Fazenda um estudo para calcular o custo da gratuidade total no transporte público. Segundo estimativas da Confederação Nacional do Transporte, a medida poderia exigir R$ 90 bilhões anuais. Hoje, 136 municípios adotam gratuidade integral, majoritariamente de médio porte, enquanto capitais como São Paulo e Brasília só aplicam o modelo em domingos e feriados.

Já no campo dos aplicativos, o governo pretende avançar sobre três eixos:
— tarifa mínima para entregas e corridas;
— transparência dos algoritmos;
— e criação de um modelo de seguridade social com contribuição patronal.

Segundo o ministro Guilherme Boulos, um grupo de trabalho com o Ministério Público do Trabalho será instalado para formalizar o diálogo com motoristas e entregadores. A ideia é que o colegiado produza decretos ou até um novo projeto de lei a ser enviado ao Congresso no início de 2026.

Com o empresariado mobilizado, parlamentares inquietos e o impacto fiscal ainda indefinido, a pauta trabalhista tende a se tornar um dos capítulos mais explosivos da campanha, e uma das principais arenas de embate entre governo e setor produtivo.

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